sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Quenianos: campeões das ruas

Saiba por que os quenianos são sempre os líderes nas corridas de rua
Sport Life

Nas últimas décadas eles dominaram o cenário de corrida. Até hoje, apenas atletas africanos foram capazes de correr uma maratona em menos de 2h06min, e os grandes destaques da lista de recordes são os quenianos e etíopes.
Mas nem sempre foi assim. De certa forma, eles demoraram para descobrir o seu potencial. Um estudo comparativo mundial mostrou que em 1986 os quenianos representavam apenas 13% dos vencedores das corridas, contra quase 50% de europeus. Em 2003, os europeus caíram para 11%, enquanto os quenianos, em uma incrível virada de jogo, abocanharam 55% do montante global.
No Brasil, nenhum queniano havia ganho a São Silvestre antes de 1992, por exemplo, mas nos últimos 20 anos contabilizam-se 12 vencedores daquele país contra apenas cinco brasileiros e, na Volta da Pampulha, o placar já está em 6 a 4 para os africanos nas últimas dez edições.
Tendo isso em vista, e a fim de dar mais chance aos brasileiros, desde o ano passado há limite de estrangeiros na categoria elite das corridas, variando de um a três atletas por país (dependendo da classificação da prova), segundo Martinho Santos, superintendente técnico da Confederação Brasileira de Atletismo.
Mas afinal, por que eles são tão bons?

DNA DE CORREDOR
Leves, magros, donos de longas e incansáveis pernas, eles parecem ter sido feitos para correr. Os melhores atletas de médias e longas distâncias vêm de oito tribos Kalenjin e, dentre eles, destacam-se os Nandi, cerca de 2% da população do Quênia. Estudo publicado na Jornal Escandinavo de Medicina e Ciências do Esporte mostrou que os corredores quenianos têm VO2 máx., índice que marca o aproveitamento do oxigênio, muito altos e uma economia de corrida impressionante. Também acumulam menos ácido láctico e amônia (subprodutos associados à fadiga) no sangue durante a prova, quando comparados aos corredores escandinavos, mesmo em intensidades de exercício muito altas.
Elevado VO2 máx., utilização fracio­nada durante a execução e economia de corrida são fatores cruciais para o sucesso do corredor. Mas ao que tudo indica, a chave da superioridade do Quênia em médias e longas distâncias é uma combinação única desses fa­tores, como aponta um estudo do Cen­tro de Pesquisas do Músculo de Co­­penhague. A prova de que a combinação certa é que faz a diferença foi uma pesquisa com um grupo de atletas africanos com VO2 máx. significativamente menor (61ml/min/kg) do que um grupo de eu­ropeus (70 ml/min/kg). Ainda assim, eles foram capazes de atingir o mesmo desempenho em 10k que o ou­tro grupo, devido à economia de cor­rida e à capacidade de sustentar por mais tempo uma maior porcentagem do VO2 máx. Outro fator estudado foi a composição muscular desses atletas. Um estudo que saiu no Journal of Applied Physiology em 2007 com 13 Xhosas e 13 europeus mostrou que os corredores de 10k africanos, mesmo sendo fundistas, tinham mais fibras do tipo IIA (relacionadas à força e à ve­locidade) e menos fibras do tipo I, as­sociadas à resistência, do que os brancos.

NAS MONTANHAS

Muitos estudos mostram que a herança genética, sozinha, não faz um campeão. A maior parte leva também em consideração o meio. E, nesse item, destaca-se o fator altitude, pois a maioria daqueles corredores nasce e treina acima de 2 000 m, na região de Rift Valley. “Com isso, o corpo acostuma-se a trabalhar com menos oxigênio e promove adaptações gerais que melhoram a economia de corrida, como o aumento de hemácias no sangue, por exemplo. São as hemácias, as células vermelhas do sangue, as responsáveis por transportar o oxigênio pelo corpo. Os brasileiros, por exemplo, utilizam o treinamento em altitude para melhorar o sistema aeróbio, passando temporadas na Colômbia (Paipa está a 2 700 m de altitude)”, explica Evandro Lázari, treinador de atletismo da equipe BM&F Bovespa e mestrando em Biodinâmica do Movimento Humano pela Unicamp.
Além disso, os quenianos correm em trilhas de terra batida e montanhas, o que requer mais força com me­nor risco de lesões. Em geral, eles também são muito ativos desde a infância. Como moram em regiões rurais, precisam caminhar e correr longas distâncias. Estudo mostrou que as crianças quenianas que moravam longe da escola e iam a pé tinham um VO2 máx. 30% maior em relação às que não faziam esse esforço.
Outro fator estudado é a dieta. Os quenianos preferem alimentos simples e nutritivos, ricos em carboidratos e com pouquíssima gordura, com destaque para o ugali, uma espécie de polenta feita de milho, que comem muitas vezes ao dia. No prato, legumes, verduras, pouca carne e muito chá. Pequenas porções de frango ou carne assada e muito leite fornecem as proteínas necessárias.

MORRO ACIMA

Sabe os treinos mais difíceis da sua planilha, quando você respira fundo e sabe que o dia será complicado? Pois é, são os preferidos dos quenianos. Basicamente eles treinam muito duro e quase sempre em subidas e em trilhas, o que aumenta o ganho de força e a qualidade do treino.
Moacir Marconi, conhecido como Co­quinho, treina quenianos há mais de 15 anos no Paraná. Para ele, o gran­de diferencial, além da genética, é um bom treinamento. “Muito fartlek, e duas vezes na semana, um longo com variação de terreno. Também fazemos muitas subidas para aprender a não se intimidar e deixar o ritmo cair. Em geral, eles treinam até menos que os brasileiros, sabem a importância do descanso, da recuperação”, conta o ex-atleta.
De fato, Catherine Ndereba, bicampeã mundial e tetracampeã da Maratona de Boston, certa vez afirmou que costuma correr entre 120k e 145k por semana, bem menos que os 180k costumeiramente feitos pelos outros atletas. Mas, apesar de a quilometragem ser menor, o trabalho é intenso. Chegam a correr três vezes ao dia, com muitos treinos em ritmo de prova (os chamados tempo-run), e de limiar, cruciais para condicionar o corpo a manter a alta velocidade por maiores distâncias.
Em geral, a semana é preenchida com duas sessões de repetições curtas em subidas, uma de intervalados, uma de fartlek ou tempo-run e dois longões.

PARA GANHAR
Nascidos em um país pobre e devastado, a corrida é a única chance de sairem da miséria e ajudarem seus familiares. Para isso, eles deixam tudo e seguem mundo afora em busca de oportunidades de prêmio. Não importa se a corrida é fácil, difícil, com muito frio ou só com subidas. Extremamente focados, chegam, correm e partem.
O ex-maratonista olímpico Luiz Antônio dos Santos trabalha há três anos com quenianos em Taubaté (SP) e é um dos que acredita mais no potencial psicológico. “É óbvio que a genética ajuda muito, aliada ao fato de nascerem em região montanhosa. Isso pode favorecer, mas o grande diferencial é a dedicação, é o acreditar no que estão fazendo. Eles sabem que aquilo é o seu meio de sobrevivência, por isso são muito simples, humildes e batalhadores. Quando os brasileiros treinam com eles nesse intercâmbio que promovo, noto um aumento de concentração e dedicação, quando começam a acreditar que podem correr como um africano também”, diz.
De fato, quem já conversou com um corredor queniano, sabe. Humildes, resignados, tímidos e quietos. É notável como deixaram tudo para trás em busca de uma vida menos miserável e fizeram mais sacrifícios do que quase qualquer outro corredor.

Karina Bernardino
Fonte: http://www.sportlife.com.br/index.asp?codc=1455

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Manifesto a favor da Educação Física

O Conselho Federal de Educação Física (CONFEF) esta organizando um Manifesto contra o Projeto de Lei (PL) 5.186/05, que irá alterar a Lei 9.615/98 (“Lei Pelé”). No artigo 90-E, a ser incluido, permitirá que ex-atletas possam atuar como Monitores de Esporte e este fato irá influenciar diretamente no mercado de trabalho do educador físico.

Para evitar sua aprovação no Senado, é necessária uma campanha de repúdio ao atual texto do PL 5.186/05, e será necessário a sua participação no Manifesto de repudio contra esta Lei.

PARTICIPE!

Ajude a divulgar o manifesto e a lutar pelo direito da população para ser assistida e orientada pelo Profissional de Educação Física.

Divulgue o site e ajude a derrubar este projeto.

http://www.confef.org.br/extra/manifesto/

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Coragem, candidatos!

Na “Folha de S.Paulo”, de ontem.
JUCA KFOURI

Coragem, candidatos!

Que aspirante à Presidência do Brasil anunciaria a desistência em fazer a Copa e a Olimpíada no país?

PRIMEIRO , foi São Paulo que submergiu sob as chuvas de verão.

Depois, o Rio, devastado pelas águas do outono.

A fragilidade de nossas duas principais cidades, e do seu entorno, ficou, mais uma vez, dolorosa e dramaticamente evidenciada.

Faz sentido investir em estádios para a Copa do Mundo?

Faz sentido investir em estádios e acomodações para a Olimpíada?

Sim, sabemos que não investir no supérfluo não garante o investimento no essencial.

E que já houve experiências lucrativas em países que receberam tanto um quanto outro evento.

Mas um país que permite, e estimula, o surgimento de favelas sobre lixões, e de bairros sobre pântanos, está apto a ser olímpico?

Teria José Serra a coragem de dizer que entre as suas prioridades não estão a Copa do Mundo e a Olimpíada e que desiste delas?

E Dilma Rousseff? Viria a público, mesmo que lamentando, para dizer que o país deve abrir mão dos dois eventos porque ainda não é a nossa hora de fazê-los?

Marina Silva seria a candidata a botar o dedo nessa ferida?

Ninguém nega a importância que eventos desse porte têm para um país emergente. Ninguém nega.

Mas e num país submergente? Dá para encarar?

Esqueça o refrão da corrupção, faça de conta que tudo será feito com lisura.

Ainda assim, depois de tudo que passou o eixo Rio-São Paulo, o mais rico e influente do Brasil, faz sentido Copa ou Olimpíada?

Desnecessário repetir que houve um terremoto no Chile e em seguida se fez a Copa do Mundo de 1962 no país andino.

Ou a mesma coisa em relação ao México, em 1986.

Porque, se catástrofes naturais são o que são, o fato é que não se pode comparar a magnitude do que houve lá com o que as chuvas, por fortíssimas que tenham sido, e foram mesmo, causaram por aqui.

Esperar que os céus nos poupem em 2014 e 2016 porque, afinal, as festas esportivas se darão em meses de estiagem, será confiar demais no destino.

Como confiaram os desgraçados do Morro do Bumba, no Rio de Janeiro, ou do Jardim Pantanal, em São Paulo.

A situação em que ficaram as piscinas do São Paulo Futebol Clube e o Maracanã e o Maracanãzinho deveria servir para convencer até os mais teimosos sobre a aventura em que estamos entrando e que ainda podemos evitar.

O que aconteceria com um candidato que anunciasse ao Brasil que, se eleito, abriria mão dos dois eventos e poria o dinheiro, por exemplo, na erradicação das favelas?

E no saneamento básico.

E na educação.

E na saúde.

Perderia votos? Ou ganharia?

Eis aí uma boa pergunta para as pesquisas que todos os candidatos fazem em seus comitês. Suspeito que o resultado venha a ser positivo.

Sim, você dirá que sou um sonhador ou um ingênuo, até porque vou ainda mais longe: afirmo que, mesmo que uma pesquisa revelasse perda de votos, ainda assim, um verdadeiro líder, destemidamente a favor do Brasil, bancaria a decisão.

E, então, alguém se habilita?

O meu voto, ao menos, ganharia.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Estado, esporte e dinheiro

Artigo publicado no Correio Braziliense no último domingo.
POR RAQUEL TEIXEIRA*
http://blogdojuca.uol.com.br/


O esporte como indústria no Brasil esteve, por décadas, condenado a inexistir em virtude da desimportância dedicada pelo Estado ao setor. Essa realidade, que condenou o esporte brasileiro a mendigar, é, hoje, passado. O setor não está mais à míngua. Dispõe de fontes inúmeras de recursos, aptas a garantir o desenvolvimento da atividade.

Com a aprovação da Lei Piva, os Comitês Olímpico e Paraolímpico (COB e CPB) foram aquinhoados, entre 2001 e 2009, com mais de R$ 735 milhões. Recursos que se avolumaram com a criação da Bolsa Atleta, responsável, em 2008 e 2009, pelo repasse de R$ 55 milhões aos atletas por ela beneficiados. E considerados os repasses da Lei Piva nesse período, o esporte brasileiro dispôs, em dois anos, de R$ 304 milhões.

Há mais, entretanto. O orçamento do Ministério do Esporte, entre 2003 e 2008, destinou mais de R$ 6 bilhões ao Programa Esporte de Alto Rendimento, tendo sido pagos, desse total, mais de R$ 4 bilhões. Além disso, as estatais garantiram, em 2007, R$ 297 milhões ao vôlei, à vela, ao tênis, ao futsal, ao atletismo, à ginástica, à luta olímpica, ao surf, ao handebol, ao esporte motor, aos desportos aquáticos, ao judô e ao basquete.

Dinheiro para o esporte, portanto, é farto. E destrinchado o numerário referente a 2007, constata-se que a Lei Piva assegurou ao COB e ao CPB R$ 99,9 milhões. Sem falar no fato de que, então, as entidades esportivas captaram, valendo-se da Lei de Incentivos Fiscais, R$ 50, 9 milhões.

Às vésperas dos Jogos de 2008, consideradas a Lei Piva e a Lei de Incentivos, o esporte contabilizou, portanto, aportes no valor de R$ 150,9 milhões. Mas não foi tudo. Em 2007, os patrocínios das estatais destinaram a entidades dirigentes e modalidades esportivas R$ 297 milhões, elevando o apoio a patamar invejável: R$ 447,9 milhões.

A esse total há que se acrescentar o orçamento do Ministério do Esporte de 2007: R$ 1,78 bilhão, dos quais foram pagos R$ 1,35 bilhão. O que, considerados os demais desembolsos, redunda em R$ 1,798 bilhão. Em contrapartida a tal magnanimidade, não corresponderam, nos Jogos de 2008, as conquistas sonhadas pela sociedade brasileira, responsável direta, por intermédio do pagamento de impostos diretos e indiretos, pelos recursos que irrigaram os cofres das entidades de administração do esporte.

Com a obrigação contratada pelo Brasil de realizar os Jogos de 2016, sobreleva-se a tarefa de preparar as delegações olímpica e paraolímpica para, na maior competição esportiva do mundo, colher marcas expressivas. Se examinarmos, entretanto, os resultados da delegação brasileira nos recém-encerrados Jogos Sul-Americanos, disputados na Colômbia, o otimismo com a captação do direito de realizar as Olimpíadas arrefece.

Defrontaram-se na competição, na modalidade atletismo, atletas Sub-23. Os que representarão seus países nos Jogos do Rio. O Brasil, que era hegemônico, amargou o terceiro lugar. Enquanto a Colômbia conquistou oito ouros e a Venezuela quatro, a delegação brasileira trouxe, apenas, três ouros.

Números à parte, a verdade é que o Brasil defronta-se com um imenso desafio – o de transformar o esporte em matéria de interesse prioritário. Como fez, em 1990, o governo da Espanha, ao sancionar a Lei 10. A partir daquele momento, o esporte de alto nível tornou-se de interesse do Estado.

Enquanto a Espanha, há 20 anos, adotava uma decisão a favor do esporte, essa indústria, que gera benefícios sócioeconômicos diversos, não motivou, ainda, o interesse do governo brasileiro a formular uma política de Estado para o esporte. Iniciativa que, uma vez tomada, resultará em um diploma polar, que garantirá a implementação de um planejamento estratégico, capaz de democratizar a aplicação dos recursos existentes para o setor e ampliar, de fato, o acesso de todos os segmentos da população à iniciação esportiva.

A oportunidade da América do Sul sediar, pela primeira vez, os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos fundamenta, porém, a obrigação de o país dispor de um diploma para o esporte semelhante, em intenções, aos existentes para os setores de educação e de saúde. Lei dispondo que o esporte de alto nível é de interesse do Estado e definindo regras que assegurem às instâncias formadoras de atletas os recursos hoje à disposição da indústria do esporte. O que lhes possibilitará, afinal, investir na descoberta e no aprimoramento de talentos motores que farão do Brasil, no futuro, uma potência esportiva.

*A professora Raquel Teixeira é deputada federal (PSDB-GO) e presidente da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Morre cronista esportivo Armando Nogueira, aos 83 anos

http://www.gazetaesportiva.com.br/nota/2010/03/29/628963.html

Rio de Janeiro (RJ)

O mundo do futebol se despediu na manhã desta segunda-feira, por volta das 7 horas, do jornalista e cronista esportivo Armando Nogueira. Aos 83 anos, ele sofria com um câncer no cérebro e estava bastante debilitado desde 2007, quando descobriu a doença e se tratava no Rio de Janeiro, onde faleceu.

Armando Nogueira nasceu em Xapuri, no Acre, e em sua carreira de jornalista cobriu diversas Copa do Mundo, a partir de 1950. Repórter, editor e colunista, ele trabalhou na Revista Manchete, O Cruzeiro, Jornal do Brasil, além da Rádio CBN e da Rede Bandeirantes e Rede Globo, em seus 60 anos de carreira.

Como autor de livros, Nogueira publicou dez títulos, todos sobre futebol, entre eles "Drama e Glória dos Bicampeões", "Na Grande Área", "Bola na Rede", "O Homem e a Bola", "A Copa que Ninguém Viu e a que Não Queremos Lembrar", "A Chama que não se Apaga". Além disso, ele escreveu os textos do filme "Pelé Eterno", que estreou em 2004.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Olimpíada e Copa Trazem Prejuízo Social

Sexta-Feira, 05 de Março de 2010 | Versão Impressa - O Estado de S. Paulo

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100305/not_imp519833,0.php

ONU conclui que eventos afetam moradia de boa parte das pessoas
Jamil Chade

A organização de Copas do Mundo e Jogos Olímpicos causou a expulsão de milhares de pessoas de suas casas e, na grande maioria dos casos, teve impacto negativo sobre a situação de moradia para a população. A conclusão é da ONU, que apresenta hoje, em Genebra, seu primeiro relatório completo sobre o impacto de megaeventos esportivos sobre a vida das pessoas nas cidades que os sediam e desfaz o mito de que apenas trazem benefícios à população.
No caso do Rio de Janeiro, alerta o estudo, a ameaça de expulsão de moradores de áreas que serão usadas para os Jogos de 2016 é real e o governo terá de dar uma solução.

O trabalho de elaboração do levantamento coube a uma brasileira, Raquel Rolnick, relatora das Nações Unidas para o Direito à Moradia e hoje uma das principais especialistas mundiais na questão. A ONU buscou contato com a Fifa para tratar do assunto. Sequer foi recebida. "Experiências passadas mostram que projetos de reurbanização adotados para a preparação de eventos resultaram em violações extensivas de direitos humanos, em especial o direito à moradia"", alertou Rolnick em seu documento, que será apresentado hoje a governos de todo o mundo.

Expulsões, encarecimento de moradia, falta de alternativas e pressão sobre os mais pobres, que acabam empurrados para as periferias, têm sido algumas das marcas mais características das Copas e Jogos Olímpicos. Para a brasileira, os benefícios econômicos desses eventos não são distribuídos de forma adequada à população e o legado "é longe de ser positivo"".
"Velhas disparidades parecem se exacerbar diante de um processo de regeneração e embelezamento das cidades"", afirma. "As consequências de longo prazo de megaeventos incluem fatos preocupantes.""

Os exemplos citados pela ONU são inúmeros. Em Seul, em 1988, a Olimpíada afetou 15% da população, que teve de buscar novos locais para morar - 48 mil edifícios foram destruídos. Em Barcelona, em 1992, 200 famílias foram expulsas para a construção de novas estradas. Em Pequim, a ONU admite que 1,5 milhão de pessoas foram removidas de suas casas. A expulsão chegou a ocorrer em plena madrugada. Moradores que se opunham foram presos.
Outra constatação é a alta nos preços de casas. Em Seul, a inflação foi de 20% nos oito meses anteriores aos Jogos. O preço da terra subiu 27%. Em Barcelona, a alta foi de 131% nos cinco anos antes da Olimpíada, contra mais de 50% em Sydney. Em Atlanta, 15 mil moradores foram expulsos de suas casas em 1996 e a inflação no setor imobiliário passou de 0,4% para 8% no ano dos Jogos.

Para Londres/2012, as áreas próximas aos locais dos eventos já sofrem inflação quatro vezes maior que a média nacional.

Em relação à Copa da África, a relatora alerta que os compromissos do governo de proporcionar ganhos sociais com o evento não estão se confirmando. O orçamento para isso é baixo e a Fifa sequer aceitou falar com Raquel sobre o assunto. A ONU pede que a entidade modifique seus critérios para a escolha da sede das próximas Copas. Não houve resposta.

JOGOS DE 2016

Para a Olimpíada do Rio, a ONU já alerta para possíveis violações ao direito à moradia. Um dos problemas seria a Vila do Autódromo, que poderia ter seus moradores expulsos para as obras do evento. Outra preocupação é com relação à falta de informação sobre compensações que moradores de algumas áreas terão de receber.

OS IMPACTOS NA HABITAÇÃO

1988
Olimpíada de Seul
Em Seul, 15% da população foi violentamente expulsa e 48 mil edifícios foram demolidos em 1988 durante a preparação dos Jogos Olímpicos. A especulação imobiliária aumentou em mais de 20% o valor dos apartamentos e em mais de 27% o de terrenos

1992
Olimpíada de Barcelona
Duzentas famílias foram despejadas para abrir caminho para a construção de novas rotatórias e outras adaptações urbanísticas antes do Jogos Olímpicos de 1992. A especulação imobiliária em torno dos Jogos resultou num aumento de 131% no preço dos imóveis

1994
Copa do Mundo dos Estados Unidos
Em Dallas, cerca de 300 pessoas foram expulsas de suas residências por causa da preparação para a Copa do Mundo 1994

1996
Olimpíada de Atlanta
Em Atlanta, em torno de 15 mil residentes de baixa renda foram expulsos da cidade por causa dos Jogos. Cerca de 1.200 unidades de habitação para os pobres foram destruídas em nome dos Jogos

2000
Olimpíada de Sydney
Em Sydney, os relatórios indicam que cerca de 6 mil pessoas foram desalojadas na preparação para os Jogos Olímpicos de 2000. A especulação imobiliária em torno dos Jogos elevou em 50% o preço dos imóveis

2008
Olimpíada de Pequim
Projeto envolveu realocação de moradores em larga escala. Foram relatadas denúncias sobre despejos em massa, por vezes conduzidos por homens não identificados. Cerca de 1,5 milhão de pessoas foram deslocadas

2010
Copa da África do Sul
Mais de 20 mil moradores foram removidos e transferidos para áreas empobrecidas da cidade. O ministro da Habitação observou que os planos de construir milhares de casas de baixo custo poderiam ser afetados por mudanças nas demandas do orçamento na preparação para a Copa de 2010

2010
Jogos da Commonwealth de Nova Deli
Em Nova Deli, na Índia, 35 mil famílias foram expulsas das terras públicas na preparação para os Jogos

2010
Olimpíada de Inverno de Vancouver
Em Vancouver, mais de 1.400 unidades habitacionais de baixa renda foram perdidas em relação à especulação imobiliária gerada pelos Jogos Olímpicos de Inverno de 2010

2012
Olimpíada de Londres
Na capital da Inglaterra, sede dos Jogos de 2012, que antecedemo os do Rio, o preço médio dos imóveis no entorno olímpico aumentou mais de 3%, enquanto no restante da cidade os valores caíram aproximadamente 0,2 por cento

2016
Olimpíada do Rio
No Rio de Janeiro, diversos assentamentos informais estão sob ameaça de despejo, por causa da construção de instalações esportivas para a realização dos Jogos Olímpicos de 2016

domingo, 29 de novembro de 2009

Verão chegando.

Com a chegada do verão é comum a busca pelo “corpo perfeito” nas academias, clubes, spas, praças, ruas e praia. Mas é importante que tenhamos em mente que não existe milagres, fórmulas mágicas e poções para desenvolver músculos e metabolisar gordura da noite para o dia.

É necessária muita dedicação e cuidados especiais com a alimentação, com os exercícios, moderação no consumo de bebida alcoólica e boas horas de sono para que o corpo possa construir novas células e recuperar outras “desgastadas”.
Mas é necessário acompanhamento profissional para obter os resultados desejados da melhor maneira possível.

Se você optar por entrar numa academia, é importante ter alguns cuidados antes de transformar o seu treinamento em um pesadelo.

Ainda é muito comum a presença de pessoas leigas nas academias ofertando serviços como musculação, ginástica localizada, step, jump, bike indoor dentre outras atividades sem formação universitária para isto, sem a graduação em Educação Física.

Você já se imaginou fazendo seu tratamento de dentes com algum outro profissional senão um dentista? Você já se imaginou se consultando com outro profissional sobre doenças que não um médico? Você já imaginou comprando um remédio numa farmácia de manipulação e este remédio foi preparado por outra pessoa que não um farmacêutico?

Pois bem, muita gente se matricula numa academia e nem se da conta que o “professor” que prescreveu sua série de musculação pode nem ter o ensino básico completo. E isto é mais comum do que parece, em todos os estados deste país. Todos os dias dezenas de pessoas são levadas às delegacias por exercício ilegal da profissão, prescrição de dietas alimentares e mais grave ainda, por prescrever o uso de esteróides anabolizantes.

O reconhecimento da profissão de educador físico é novo, foi realizado em 1º. de setembro de 1998, através da lei 9696/98, onde regulamenta a profissão do profissional de educação física, cria o Conselho Federal de Educação Física (CONFEF), e os Conselhos Regionais de Educação Física (CREF). Através deste mecanismo todos os profissionais devem estar registrados nos seus devidos conselhos, são fiscalizados por estes e passam a responder criminalmente por possíveis erros cometidos por seus profissionais contra a sociedade.

A partir desta data só professores formados poderiam trabalhar com atividade física, com esporte, só que muitas pessoas trabalhavam antes da promulgação e não poderiam ser mandados embora pois o direito ao trabalho é um direito constitucional, e ninguém pode ser impedido de trabalhar. Os conselhos então passaram a aceitar estes profissionais, registrando e fiscalizando possíveis erros cometidos contra a sociedade, só que muitas pessoas se aproveitando das falhas deste processo entraram com declarações falsas de trabalho e obtiveram seus respectivos registros.

Vocês devem estar se perguntando. Como? Quer dizer que eu posso ter a supervisão de um leigo na minha série de musculação? Aquela aula de Bike Indoor ministrada pode ser orientada por uma pessoa sem a mínima preparação para isto? A resposta é SIM. E até mesmo sem o ensino básico concluído, pasmem.

Estes profissionais só podem ministrar uma única atividade física de acordo com suas carteirinhas, mas não é isto que a gente costuma ver no dia-a-dia, é necessário você exigir que a academia e professores apresentem seus registros, suas carteirinhas para você ter segurança com o seu treinamento. Caso você ainda tenha dúvidas veja estas dicas:

1º. Entre no site do Conselho Federal de Educação (CONFEF) e clique em REGISTRADOS e depois em PROFISSIONAIS e em PESQUISAR. Digite o nome do profissional e seu estado. E descubra se ele é registrado, ou você pode digitar direto este link no seu navegador: http://www.confef.org.br/extra/registrados/nome.asp

2º. Existem dois tipos de registros: aquele que podem atuar sem restrição, pois são graduados em educação física, e os que são práticos e só podem atuar em uma única modalidade. Os graduados em educação física possuem carteirinha na cor verde e seus registros seguem este padrão – 000000-G (este “G” significa GRADUADO) e os práticos possuem carteirinha na cor vermelha e seus registros seguem este padrão – 000000-P (este “P” significa PRÁTICOS).



Depois destas dicas, cuidado. Exija o melhor para você, para suas atividades físicas, para seus treinos. Ou você, querendo ter um filho de maneira segura procuraria uma parteira em vez de um médico com especialização em obstetrícia?

Pense nisso, atividades físicas com registrados e com profissionais preparados para atender você.