quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Maratona Pro Adidas - 14k / 42k confirmada para setembro de 2012.

A Maratona Pro - Adidas 14K e 42K tem nova data para 2012. Atendendo a pedidos de patrocinadores e corredores, a Yescom alterou a data da prova, que estava programada para o dia 22 de janeiro para 9 de setembro, em função do forte calor no Estado do Rio de Janeiro no período.

A data da prova já havia sofrido alteração, pela realização do Rock in Rio, em setembro. Com a nova mudança, a corrida volta ao seu mês de origem.

"Em função do Rock in Rio a Prefeitura nos ofereceu a data de janeiro. Aceitamos, mas com o calor da época, a tradicional Corrida de São Sebastião, e os pedidos dos corredores e patrocinadores voltamos para o mês de setembro. As inscrições continuam abertas e para quem já efetuou, as mesmas continuam valendo. Quem quiser ser ressarcido é só entrar em contato concosco", explica Thadeus Kassabian, da Yescom, empresa organizadora do evento.

A prova beneficia quem concluir as distâncias de 14k e 42k nos tempos previstos pela organização. Quem correr abaixo de 4 horas receberá inscrição cortesia para a Maratona Internacional de São Paulo 2013, exclusiva para a Categoria Maratona. Já quem completar os 14k em 1h30 terá uma vaga na prova 10k Rio Corrida Pan-Americana 2012.

A solicitação deverá ser feita após os resultados serem publicados
oficialmente pelo e-mail faleconosco@yescom.com.br. Os interessados devem se cadastrar pelo site www.maratonapro.com.br. O valor de participação é de R$ 60,00 (sessenta reais) até 21 de agosto de 2012, após esta data o valor sobe para R$ 70,00.

A prova terá largada às 6h40min e chegada em frente ao Monumento aos Expedicionários da Segunda Grande Guerra Mundial (Monumento aos Pracinhas), no Aterro do Flamengo.

Calendário 2012 de Corridas de rua

Janeiro 2012

05/01 - Corrida dos Santos Reis - Angra dos Reis (RJ)

09/01 - 3 Milhas de Interlagos - São Paulo (SP)

20/01 - Corrida de São Sebatião (RJ) 5 e 10 km - www.corridadesaosebastiao.com.br

21/01 - Maratoninha do Rio (RJ)

22/01 - Desafio Rocinha de Braços Abertos (RJ)

22/01 - Maratona Pró Adidas 2012 - 14 e 42 km (RJ) - www.yescom.com.br/maratonapro/2012/portugues/

29/01 - Circuito do Sol (RJ) - 5 e 10 km - www.circuitosol.com.br

29/1 - Desafio da Paz 2012 - (Rocinha)

Fevereiro 2012

05/02 - Triathlon Internacional de Santos TPT / Santos (SP)

5/2 - Circuito Light Rio Antigo - Etapa Lapa

12/02 - Circuito Sol SP 5/10 km - São Paulo (SP)

27/02 - Meia Maratona Internacional de São Paulo 21k e 6k São Paulo (SP)

Março 2012

4/3 - Circuito Das Estações Adidas 2012 5k e 10k - Outono - Rio de Janeiro

11/3 - Circuito Ilha de Paquetá de Corrida de Rua 4,5k e 7,2k (RJ)

18/3 - Fest Verão Macaé corrida 6k (RJ)

25/3 - Circuito Athenas 5k e 10k (RJ)

25/3 - Mini maratona de Parati 18k (RJ)

Abril 2012

Maio 2012

13/5 - WRun - Corrida Feminina 4k e 8k (RJ)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Lipostabil é proibido pela Anvisa

O Lipostabil, nome comercial da fosfatidilcolina, medicamento injetável que vem sendo utilizado para a redução de gordura localizada, teve sua venda e utilização proibidas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

A Anvisa alerta aos consumidores, profissionais médicos, proprietários de clínicas de estética e farmácias de manipulação que o medicamento Lipostabil não está registrado na Anvisa e por isso não existe autorização para fabricação, importação, distribuição, venda e uso desse produto no país.

Redução de gordura localizada não é comprovado

O medicamento vem sendo usado em diversas clínicas brasileiras com uma indicação não comprovada de redução de gorduras localizadas e tratamento estético. O próprio laboratório responsável pela distribuição do medicamento Lipostabil na Itália, Alemanha e outros países, a Aventis Pharma, comunicou oficialmente à Anvisa que ainda não comercializa o produto no Brasil, motivo pelo qual não solicitou seu registro.

A empresa informou também que a fosfatidilcolina é um medicamento cardiológico indicado para o tratamento e profilaxia de embolia gordurosa e que não existem estudos clínicos que comprovam a eficácia e a segurança do produto na dissolução de gorduras localizadas.

Efeitos colaterais

Diz ainda que os efeitos colaterais, a longo prazo, pelo uso deste produto ainda não são conhecidos. A Aventis Pharma afirma que "devido à ausência de estudos clínicos para a indicação estética, não há como assegurar a utilização do produto, via aplicação subcutânea, sem que haja riscos em relação a dissolução exagerada de gordura ou a desnutrição de outros tecidos além das células adiposas". Além disso, existem riscos conhecidos da fosfatidilcolina apresentados como náuseas, queimação, anorexia, diarréia, depressão, ganho de peso, arritmias, hipotensão e fraqueza.

A Agência informa ainda que qualquer unidade encontrada deste produto pelos fiscais sanitários será recolhida e a empresa que estiver importando, distribuindo, comercializando ou utilizando este produto será autuada e poderá receber multas que variam de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão. Em casos extremos, o estabelecimento poderá ser interditado.

Fonte: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)

Suplemento: Jack3d

Em julho de 2011, o Jornal do SBT - Noite
Divulga a seguinte reportagem: ''Sucesso nas academias, estimulante Jack 3D é proibido pela Anvisa. A aposta em um complemento para definir os músculos de vez o Jack 3D. As três principais substâncias do composto são cafeína, vasodilatadores e hormônios que alteram o sistema nervoso.
A nutricionista Rosanne Martins do Valle não recomenda e ainda faz um alerta: "O Jack 3D não deve ser classificado como um suplemento alimentar."
O produto que pode ser considerado uma droga é vendido livremente pela internet, sem receita médica.O produto começou a ser consumido no Brasil no ano passado, mas há poucos meses virou febre nas academias. Além de ter a comercialização probida pela Anvisa, não é aceito pelo Agência Mundial Anti-dopping. Para os médicos, "uma carga pesada demais para a saúde.''

Fonte: Jornal do SBT Noite
publicado em 16/6/2011 às 10:18

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Musculação: a importância do acompanhamento adequado


Por: Paulo Gentil
01/05/2011

Tornou-se indiscutível que a prática de atividades físicas é importante para manutenção da saúde. Nesse contexto, a musculação vem ganhando um espaço crescente, por proporcionar resultados estéticos, melhorar o desempenho desportivo e ajudar na prevenção, recuperação e reabilitação das mais diversas condições patológicas.

Cientes desses benefícios, muitas pessoas procuram locais especializados para prática de musculação. No momento de escolher onde treinar, diversos fatores são levados em consideração, como a proximidade de casa/trabalho, estrutura física, preço, tipo de público que a freqüenta... No entanto, o fator principal muitas vezes é negligenciado: a qualidade do acompanhamento profissional.

No Brasil, é obrigatório que as academias tenham um professor de Educação Física, devidamente registrado no CREF (Conselho Regional de Educação Física) para supervisionar os seus alunos. Essa prática não é novidade na área da saúde. Para exercer suas profissões, médicos, enfermeiros, nutricionistas e fisioterapeutas, por exemplo,devem possuir formação na área específica e registro no conselho respectivo. No caso da Educação física, isso é uma forma de proteger o praticante, garantindo a sua segurança e os seus resultados. No entanto, uma tendência de mercado vem preocupando os profissionais mais atentos e comprometidos: a criação de academias na qual a supervisão é negligenciada. Como a folha de pagamento é uma das principais fontes de despesa das academias, muitas empresas estão abrindo mão de bons profissionais para atender seus alunos, ou até mesmo abrindo mão de ter um profissional em sala, com objetivo de reduzir custos. Essas academias normalmente possuem poucos profissionais em sala, os quais servem mais para dar satisfações legais do que propriamente para atender os praticantes.

Apesar desses locais normalmente não serem procurados por pessoas com problemas de saúde (pois elas normalmente têm consciência dos riscos de um acompanhamento inadequado), muitas pessoas com objetivos estéticos e pensando em pagar mensalidades mais baixas as têm procurado. Mas será que a falta de acompanhamento não prejudicaria os resultados?

Nos estudos feitos em 2000 e 2004 diz que sim. Com os dados, fica claro que, mesmo em pessoas treinadas, a supervisão tem um papel essencial nos resultados. Aqui deve-se lembrar que a simples vivência em uma atividade não transforma uma pessoa em um especialista. É interessante ver alguns praticantes de musculação acreditarem que são auto-suficientes devido à prática e que não precisam de orientação profissional em seus treinos, quando mesmo atletas profissionais, com vasta experiência em suas atividades, recorrem ao acompanhamento de um treinador formado. Vamos pensar bem, se o acompanhamento não fizesse diferença, será que os atletas olímpicos, ou equipes profissionais de futebol, basquete, vôlei, etc. gastariam dinheiro contratando técnicos e preparadores físicos?

O professor de Educação Física passa anos estudando as diversas ciências envolvidas na prática de atividades físicas, como fisiologia, bioquímica, biomecânica, cinesiologia, anatomia, sem esquecer de outras não menos importantes como as relacionadas à aprendizagem motora, psicologia, etc. E esse conhecimento acadêmico é essencial para se tirar o máximo de proveito de um treino. Por exemplo, um bom profissional saberá controlar a velocidade, intervalos, aproveitar melhor os ângulos de movimento, ajustar cargas, etc. variáveis pouco compreendidas e muito importantes para os resultados (Gentil, 2011). Nos estudos anteriores, por exemplo, os participantes tinham vários meses, ou até anos, de experiência na prática de musculação, e os resultados só vieram com um acompanhamento adequado, mesmo que os treinos fossem exatamente os mesmos para os grupos que treinaram com e sem supervisão.

Sem supervisão, o praticante monta o próprio treino ou o copia de uma outra pessoa, o que aumentará ainda mais os riscos à saúde e diminuirá a possibilidade de se obter bons resultados. Imagine quão diferentes seriam os resultados se fossem comparados treinos elaborados por profissionais de Educação Física e treinos montados por pessoas não formadas?

Desse modo, fica claro que, independente do nível de treinamento, a supervisão por um profissional especializado, bem como uma relação adequada professor:aluno são essenciais para garantir a segurança e os resultados. Na hora de escolher uma academia, não basta observar se ela está na moda, é barata ou bonita. Lembre-se que uma academia é movida essencialmente pela qualidade dos profissionais que nela trabalham. O acompanhamento adequado pode representar a diferença entre ter ou não ter resultados. Portanto, quando for procurar um local para treinar, mais do que qualquer outra coisa, observe principalmente se você terá acompanhamento direto de bons profissionais.

Para ver a pesquisa acesse:
www.gease.pro.br

Prof. Paulo Gentil
Presidente do GEASE
Grupo de Estudos Avançados em Saúde e Exercício
Brasília / DF

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Parabéns aos profissionais da Educação Física

Professor de Educação Física: profissional da inclusão social, dos valores, da educação. Profissional que atua fundamentado no respeito à diversidade e na adoção de hábitos saudáveis de vida, permitindo aos alunos compreender, participar e transformar a realidade.

Professor não é apenas aquele que dissemina conhecimentos, regras e raciocínios, mas principalmente aponta caminhos, estimula e desenvolve o poder de crítica, questionamento e, acima de tudo, transformação.

Agente de mudanças, o professor de Educação Física visa à melhoria constante das condições gerais dos seus alunos, além de ampliar a concentração, a cooperação, o espírito de equipe e o respeito ao meio ambiente, trazendo resultados positivos para a aprendizagem, o desempenho escolar e a formação cidadã.

Educador, amigo, professor: da vida e para a vida!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Dicas para eliminar o inchaço

• 1º passo: comer com saúde e ingerir bastante água
• 2º passo: controlar os seus hormônios
• 3º passo: massagem corporal

Se você costuma sentir os seios inchados, os pés e as pernas pesadas e o seu peso aumenta de uma hora para outra sem motivo aparente, saiba que a culpa desse quadro pode ser da retenção de líquidos.

De acordo com a endocrinologista Zuleika Halpern, do Hospital das Clínicas de São Paulo, esse inchaço ocorre porque o corpo não consegue eliminar a água acumulada.

Afaste esse saleiro!
"Algumas doenças, como hipertensão e insuficiência renal, causam a retenção. Mas, se a mulher não tem nenhum desses problemas, o inchaço pode ser provocado pelo excesso de peso, as alterações hormonais e o aumento do consumo de sal", diz.

Quem se lembra de como Angélica era cheinha na juventude? A apresentadora, que hoje exibe um corpo magro, sofreu com a retenção de líquidos durante muitos anos. Para lidar com o problema, ela apostou na drenagem linfática. "A retenção de líquidos me atrapalha há anos. Mas com a drenagem o inchaço e a celulite diminuem, e as pernas ficam levinhas", conta.

Mas não é só isso: Angélica também não abre mão de uma alimentação saudável - recheada com frutas, verduras e legumes - e malha de três a quatro vezes por semana. Dessa maneira, não há inchaço que sobreviva.

Confira as dicas poderosas, além de três passos essenciais para expulsar o excesso de água do seu corpo e livre-se, de uma vez por todas, da retenção de líquidos.

Consumir alimentos saudáveis é o primeiro passo

Segundo a nutricionista Mariana Del Bosco, o que você come influenciará diretamente na retenção de líquidos. Descubra quem são os vilões e os melhores aliados do seu cardápio e saia vitoriosa dessa luta anti-inchaço!

- Invista nos chás. Muitos são diuréticos e fazem você eliminar mais líquidos. Os melhores sabores para isso são os cítricos, como limão e laranja.

- Beba bastante água. Ao manter-se bem hidratada, seus rins funcionam melhor, o que é um incentivo para o corpo eliminar o excesso de líquidos.

- Aposte em alimentos diuréticos. Eles fazem você ir ao banheiro mais vezes e, assim, eliminar mais líquidos. Por isso, coma muito mamão, maçã, melancia, morango, agrião, abóbora, morango, beterraba, cenoura, escarola, tomate e pepino.

- Controle o sal. Já reparou como ele absorve a umidade do ambiente? Pois ele age do mesmo jeito no seu corpo: retém o líquido e faz você ir ao banheiro menos vezes. O resultado aparece na barriga e nos seios inchados, na dificuldade de fechar as mãos e nos sapatos apertados.

- Fuja dos refrigerantes, mesmo os light. Especialmente no período pré-menstrual. Eles são ricos em sais minerais, que contribuem ainda mais para o corpo ficar inchado.

- Evite alimentos enlatados. Eles são industrializados e possuem muito sódio e conservantes na composição. Isso acaba fazendo você reter ainda mais água no corpo. Eles são vilões para quem sofre com retenção de líquidos. Na TPM, a situação piora. A endocrinologista Zuleika Halpern diz que problemas como hipotireoidismo também provocam inchaço.

Faça alguma atividade física que lhe dê prazer

- Faça uma atividade física que lhe dê prazer. Mexer o corpo ativa a circulação, o que elimina o excesso de líquidos do organismo. Além disso, os exercícios físicos contribuem para manter os hormônios equilibrados.

- Evite doces. Algumas substâncias presentes em alimentos como balas e chocolates causam irritabilidade, o que faz o inchaço aumentar mais ainda.

- Alivie o estresse diário. Ele acelera a produção de um hormônio chamado cortisol, que contribui para o aumento da retenção de líquidos. Para evitar isso, procure fazer tarefas relaxantes, como ler revistas, passear ou ouvir música.

- Procure especialistas. Para algumas pessoas, mudar de hábitos não é o suficiente. Quando o inchaço interfere no dia a dia, o endocrinologista pode prescrever um remédio para ajudar no controle da retenção, o nutricionista pode prescrever um cardápio adaptado a sua realidade e o professor de Educação Física para prescrição de exercícios que promovam seu bem estar.

A drenagem linfática reduz o inchaço e tem efeito imediato. Mas lembre-se procure um especialista formado que lhe passe segurança no tratamento.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

L- Carnitina (mais um pote magico?)


Por Paulo Gentil
20/06/2002

Uma pequena explicação bioquímica

Para a gordura ser “queimada” ela deve ser dissociada em ácidos graxos e glicerol. O glicerol é metabolizado pela mesma via que a glicose, já os ácidos graxos passam por diversas reações até serem metabolizados nos mitocôndrias. O primeiro passo para “queima” dos ácidos graxos é sua conversão em acil-CoA que deverá penetrar no mitocôndria, porém existe um pequeno problema: a membrana mitocondrial é impermeável a essa substância, o que impede sua entrada espontânea e conseqüente degradação. A Carnitina surge exatamente para solucionar esse impasse, se ligando ao radical acila da acil-CoA e levando-o para dentro do mitocôndria, onde há outra coenzima A (CoA) que o recebe e dá prosseguimento às reações.

Na prática (para perda de gordura)

Traduzindo, a Carnitina é quem realiza o transporte dos derivados da gordura para dentro dos mitocôndrias, onde eles serão oxidados. Ao tomar conhecimento destas reações, alguns entusiastas da indústria farmacêutica apressaram-se em produzir e vender Carnitina, afirmando que sua ingestão aumentaria a degradação de lipídeos e ajudaria a queimar a indesejável gordura localizada. Esses compostos receberam o sugestivo nome de Fat Burners (Queimadores de gordura).

O que parece lógico no raciocínio linear é duvidoso e até certo ponto infantil na sistemática bioquímica. Tendo em visto que o catabolismo do tecido gorduroso possui um grande número de reações, catalizadas por diversas enzimas e reguladas por incontáveis fatores, seria demasiado simplista achar que a Carnitina sozinha influenciaria toda essa cadeia de reações sem que os outros passos fossem alterados. Outro ponto a ser colocado é o fato dos tecidos animais saudáveis já possuírem quantidades mais que suficientes de Carnitina para manter as reações em andamento, não sendo esse o motivo de maior ou menor queima de gordura.

Analisando o uso de carnitina

Para analisarmos a suplementação da carnitina devemos começar da ingestão em si. Em primeiro lugar deve-se ter em mente a enorme distância fisiológica entre a ingestão do suplemento e o aumento de sua concentração nos músculos. É um caminho tão longo e incerto que diversos autores afirmam que a suplementação de carnitina tem pouco efeito em sua concentração muscular (BASS, 2000; BRASS et al, 1994, VUKOVICH et al, 1994; BARNETT et al, 1994). Em condições normais a carnitina exógena é quase toda eliminada pela urina (OHTANI et al, 1984), e o pior de tudo é que esse pouco que porventura venha a cair na circulação, dificilmente entrará no músculo (BRASS, 2000). Além dessas questões fisiológicas, há outras ainda mais obscuras, como a qualidade dos suplementos. Em um estudo de 1993, MILLINGTON et al verificaram que a média de quantidade de carnitina nos suplementos analisados era apenas 52% do escrito nos rótulos!! Ou seja, se tomando a carnitina em si já e difícil que ela chegue no músculo, imagina tomando farinha...

Mesmo que tomássemos a carnitina verdadeira e ela de fato chegasse ao músculo, ainda restaria um pergunta: por que tomar? Considerando que há pouca perda de carnitina (perto de 90% dela é reabsorvida pelos rins), concluiremos que deficiências na quantidade de carnitina são muito raras, sendo vistas apenas em algumas doenças hereditárias incomuns. Por esses e outros fatores não há como afirmarmos nada positivo em relação ao uso de uso de carnitina com fins estéticos.

Na prática para performance

Supôs-se também que a suplementação da carnitina ajudaria na performance das atividades de endurance por aumentar o consumo de gorduras e poupar o glicogênio muscular, porém não há nenhum estudo relacionando a falta de carnitina à fadiga. Além disso, deve-se ter em mente que o mecanismo de fadiga ainda não é totalmente compreendido, e a falta de glicogênio certamente não é o único fator envolvido.

Apesar de estudos de longa duração terem verificado alterações enzimáticas sugestivas, os únicos casos onde se comprovou a melhora na performance de atividades físicas foram em condições patológicas como doenças renais (AHMAD et al, 1991), vasculares (BREVETTI et al, 1988) e síndrome de fadiga crônica (PLIOPLYS et al, 1997).

Concluindo

- Apesar de haver inúmeros estudos sobre o uso de carnitina, não é possível dizer que sua suplementação traz benefícios para pessoas saudáveis, sejam estéticos ou de performance (HEINONEN, 1996; BRASS, 2000).

- O uso de carnitina embasa-se apenas em alguns estudos animais e in vitro (DUBELAAR et al, 1991; BRASS et al, 1993), não havendo possibilidades de extrapolação em humanos.

- As pesquisas feitas usaram doses de até 5 gramas e continuaram sem obter resultados, portanto eu não recomendaria o uso deste aminoácido a menos que você se encontre em uma condição patológica.

Você encontrará mais informações no site: http://www.gease.pro.br/principal.php

terça-feira, 26 de julho de 2011

Mais um estudo sugere que combinação de aeróbica e musculação é melhor exercício para diminuir riscos de diabetes e doenças cardíacas.


http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mat/2011/07/26/mais-um-estudo-sugere-que-combinacao-de-aerobica-musculacao-melhor-exercicio-para-diminuir-riscos-de-diabetes-doencas-cardiacas-924974961.asp

NOVA YORK - Uma combinação de treino de musculação e exercícios aeróbicos pode ser a melhor maneira de pessoas acima do peso diminuírem fatores de risco de diabetes e doenças cardíacas, sugere um novo estudo. A pesquisa realizada nos Estados Unidos mostra que indivíduos que fazem apenas exercícios aeróbicos também perdem peso e medidas na cintura, o que indica que um programa apenas com aeróbica é uma boa (e mais rápida) opção.

Já os voluntários que participaram do estudo e que fizeram apenas musculação tiveram muitos poucos benefícios em termos de saúde cardíaca, apesar de terem ganhado força.

- A combinação de aeróbica e musculação é claramente o programa ideal - disse Timothy Church, que estuda exercícios e doenças no Centro Pennington de Pesquisa Biomédica da Universidade Estadual de Louisiana em Baton Rouge.

As descobertas estão de acordo com outra recente pesquisa e com diretrizes de atividade física que indicam um mix de um pouco de treino de resistência com exercício aeróbico regular.
Pesquisadores liderados por Lori Bateman do Centro Médicos Universitário Duke em Durham, na Carolina do Norte, distribuiu 196 adultos sedentários acima do peso em três diferentes programas de exercícios.

Um grupo fez treino de resistência três dias por semana, usando em oito aparelhos diferentes para trabalhar os músculos da parte superior e da parte inferior do corpo. Um segundo grupo fez duas horas de treino aeróbico por semana em máquinas de ginástica. O terceiro grupo fez os exercícios aeróbicos e de resistência.

Mais de um quarto dos voluntários desistiram do estudo durante os oito meses de pesquisa e outros não completaram todos os requisitos pedidos pelos pesquisadores. Assim, no fim, Bateman e seus colegas analisaram os padrões pré e pós exercícios de 86 participantes.

Em média, as pessoas que participaram do treinamento de resistência ganharam cerca de 1,5 quilo e algumas medidas na cintura, sem alterar seus fatores de risco para diabetes e doenças cardíacas. Os que participaram do grupo de exercícios aeróbicos perderam uma média de três quilos e um pouco de cintura. Já as pessoas que combinaram os dois tipos de programa se livraram de quatro quilos e 2,54 cm de cintura. O grupo também viu cair a pressão arterial diastólica (nível mínimo) e os pontos da síndrome metabólica (combinação dos fatores de risco de diabetes e de doenças cardíacas).

No entanto, análises estatísticas mostraram que os participantes fazendo aeróbica e musculação não apresentaram necessariamente melhores resultados do que aqueles que apenas fizeram o treinamento aeróbico. Os pesquisadores disseram que não estava claro se os benefícios aparentes do programa combinado foram devido aos efeitos do treinamento com peso, ou ao maior tempo gasto na academia.

O treinamento de resistência trabalha músculos e ossos, que podem aumentar o peso corporal, embora trate-se de uma massa corporal mais magra e forte. Tanto o grupo da aeróbica quanto o que combinou os exercícios reduziram seus níveis de triglicerídeos - um tipo de gordura no sangue.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Estamos esperando o circuito Fluminense de Rio das Ostras

Calendário de Corridas de Rua do Rio de Janeiro

Para todos os amigos corredores do Rio de Janeiro e região dos lagos aí vai o calendário corrigido das corridas de rua. Venha treinar conosco. Abraços. Corra!


JULHO
10 - CIRCUITO ATHENAS 2ª ETAPA / ATERRO - RJ

16/24 - 5º JOGOS MUNDIAIS MILITARES / RIO DE JANEIRO,RJ

17 - FAMILY RUN / ATERRO - RJ

17 - MARATONA E MEIA MARATONA - JOGOS MUNDIAIS MILITARES / ATERRO DO FLAMENGO,RJ

24 - CIRCUITO DAS ESTAÇÕES - ETAPA INVERNO ATERRO - RJ

AGOSTO
07 - Corrida da padroeira de Cabo Frio / Cabo Frio

07 - XI CORRIDA RÚSTICA DA PETROS (SÓ FUNCIONARIOS) / ATERRO DO FLAMENGO, RJ

22 - MEIA MARATONA INTERNACIONAL DO RIO DE JANEIRO / SÃO CONRADO

27 - NIGHT RUN II / BARRA DA TIJUCA

28 - II CIRCUITO FLUMINENSE DE CORRIDA RÚSTICA E CAMINHADA / QUISSAMÃ,RJ

28 - REVEZAMENTO DAS PRAIAS DO RIO

SETEMBRO
04 - II CIRCUITO FLUMINENSE DE CORRIDA RÚSTICA E CAMINHADA / RIO DAS OSTRAS,RJ

11 - LOTUS – ETAPA RIO DE JANEIRO / LEME/COPACABANA

18 - CIRCUITO DELTA – ETAPA RIO DE JANEIRO / BARRA DA TIJUCA

25 - II CIRCUITO FLUMINENSE DE CORRIDA RÚSTICA E CAMINHADA / REZENDE,RJ

OUTUBRO
02 - RIO MARATHON REVEZAMENTO / ATERRO DO FLAMENGO - RJ

02 - CROSS-COUNTRY DO BOSQUE DA BARRA / BOSQUE DA BARRA,RJ

09 - CIRCUITO DAS ESTAÇÕES - ETAPA PRIMAVERA / ATERRO DO FLAMENGO – RJ

16 - II CIRCUITO FLUMINENSE DE CORRIDA RÚSTICA E CAMINHADA / MACAÉ,RJ

16 - CORRIDA E CAMINHADA DA PETROBRAS / ATERRO DO FLAMENGO

17 - CORRIDA DA AREIA CAIXA / PRAIA DE IPANEMA,RJ

22- DESAFIO SP/RJ - 600KM / IPANEMA,RJ

30- CIRCUITO ATHENAS 3ª ETAPA / ATERRO - RJ

NOVEMBRO
06 - MARATONA PÃO DE AÇUCAR DE REVEZAMENTO / ATERRO DO FLAMENGO - RJ

13 - 10KM RIO - CORRIDA PANAMERICANA / ATERRO DO FLAMENGO - RJ

15- CIRCUITO VÊNUS / ATERRO DO FLAMENGO - RJ

27 - II CIRCUITO FLUMINENSE DE CORRIDA RÚSTICA E CAMINHADA / VARRE E SAI - RJ

27 - CORRIDA DAS ACADEMIAS CAIXA / ATERRO DO FLAMENGO - RJ

DEZEMBRO

04 - CIRCUITO DAS ESTAÇÕES - ETAPA VERÃO / ATERRO DO FLAMENGO - RJ

17 - II CIRCUITO FLUMINENSE DE CORRIDA RÚSTICA E CAMINHADA / VILA MILITAR,RJ

18 - CORRIDA INTERNACIONAL DE NATAL CAIXA / QUINTA DA BOA VISTA,RJ

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Suplementos

Venho procurando muitos textos relacionados a suplementos e tenho indicado esses textos para a maioria dos meus alunos, ou pelo menos, para os que tem uma visão critica do assunto, caso contrario, tempo perdido...
Esses dois últimos meses de trabalho venho me deparando direto com a situação, as perguntas desenfreadas por fórmulas mágicas tanto para emagrecimento quanto para o aumento da massa muscular.
Esse texto do Paulo Gentil que é um dos meus favoritos entre muitos outros, relata o meu dia a dia como professora na academia, então resolvi colocar aqui no blog para que seja mais uma fonte de acesso, já que ao digitar a palavra "suplementos" no google aparece tudo de bom que um pote mágico tem a oferecer. Devido a forte propaganda das indústrias, a primeira página do google é repleta de informações positivas destes: "Suplementos as melhores opções", "suplementos corpo ideal", "suplementos grandes benefícios" entre outros.

Vocês encontrarão boas informações também no site: www.gease.pro.br

Como somos enganados pela indústria de suplementos
Escrito por Prof. Paulo Gentil
quarta, 21 de março de 2007
Prof. Paulo Gentil

Como irão perceber, este artigo tem um tom diferente. Eu optei por conversar com o leitor sobre algo que me incomoda há muito tempo: a propaganda enganosa que impulsiona a venda de diversos suplementos e complementos alimentares. Espero que as informações apresentadas aqui possam ajudar a detectar algumas estratégias usadas para enganar muitas pessoas que buscam obter melhoras em sua saúde, performance e/ou estética.

Quem sabe assim, menos pessoas serão vítimas de vendedores desinformados e/ou inescrupulosos e passarão a perceber quais os verdadeiros caminhos que devem ser percorridos na busca de uma boa forma física e de um organismo saudável] A maioria de nós simplesmente não tem paciência e dedicação para alcançar os objetivos almejados por meio de um treinamento e alimentação adequados.

No entanto, em vez de reconhecer estas limitações e mudar de atitude, nós acabamos nos sentindo mais confortáveis com a idéia de que não precisamos nos esforçar tanto, pois a solução pode ser encontrada em algum produto mágico. Afinal, quantos de nós têm disposição para treinar de maneira correta e intensa, com regularidade e durante um período de tempo relativamente longo?

Ou quem tem disciplina para trocar frituras, doces e álcool por uma refeição equilibrada que invariavelmente é mais trabalhosa e menos saborosa, além de serem vistas como “anti-sociais”?

Aproveitando de nossa preguiça e (por que não?) de nossa vontade subconsciente de sermos enganados, as empresas de suplementos lançam regularmente novas “soluções” mágicas para quem deseja muito resultado em pouco tempo e com o mínimo de esforço. Mas infelizmente a imensa maioria desses produtos não produz os efeitos prometidos.

Na verdade, a maioria não produz nenhum efeito benéfico. Para tentar minimizar os estragos feitos pelo oportunismo de vendedores e fabricantes, o Conselho Nacional Contra Fraudes na Saúde, dos Estados Unidos, criou em 1989 uma força tarefa para produtos usados como recursos ergogênicos. O objetivo da força tarefa foi avaliar as promessas feitas pelas indústrias de suplementos, com principal ênfase nas estratégias que as empresas usam para vender seus produtos.

Foram avaliadas 45 companhias que anunciavam principalmente em revistas direcionadas ao fisiculturismo e à prática de atividades físicas. A partir dos resultados obtidos pela força tarefa (Lightsey & Attaway, 1992) e das análises que tenho feito ao longo dos anos, foi possível identificar algumas das estratégias usadas pelas empresas para enganar consumidores.

Dentre elas pode-se destacar as seguintes:

Má interpretação de pesquisas

Nas propagandas dos produtos, as pesquisas normalmente são retiradas de seu contexto e as conclusões são extrapoladas além do que seria honesto sugerir. No artigo de Lightsey & Attaway (1992), os autores citam o caso do Boro, o qual é proclamado como um agente anabólico com base em um estudo da USDA realizado em mulheres no período pós-menopausa.

No entanto, a única evidência encontrada no estudo foi que a suplementação de boro, em dietas deficientes neste mineral, aumentou os níveis de testosterona de 0,3 para 0,6 ng/dl. A distância entre os resultados do estudo e as promessas dos suplementos é tanta que os próprios autores da pesquisa dizem que ele não pode ser usado para promover a suplementação de boro.

Algumas limitações:

1) a pesquisa foi em mulheres no período pós-menopausa,

2) as participantes eram deficientes no mineral, e

3) não foi demonstrado que os aumentos nos níveis de testosterona verificados no estudo causem algum efeito anabólico ou ergogênico.

Também são conhecidos os casos de estudos sobre taurina e ginseng siberiano, ou ciwujia (até onde se sabe, nenhum deles foi publicado). Nos dois casos é relatado um aumento do VO2 devido à utilização do produto, e se afirma então que os suplementos promovam um aumento na captação de oxigênio. Entretanto, ao analisar os resultados, percebe-se que o consumo de oxigênio foi mais alto para uma mesma carga de exercício.

Ou seja, as pessoas gastaram mais energia para fazer o mesmo esforço, o que pode atrapalhar o desempenho do atleta em vez de ajudar, tendo em vista que a economia de movimento é um dos principais responsáveis pelo desempenho em diversas modalidades esportivas (Faria et al., 2005a; Faria et al., 2005b; Larsen, 2003; Saunder et al., 2004).

Outro exemplo clássico são as substâncias que supostamente estimulam a liberação de hormônio do crescimento. Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que é muito fácil estimular a liberação deste hormônio, coisas simples como prender a respiração, ficar em jejum ou realizar sprints curtos já fazem o trabalho.

Em segundo lugar, a maioria dos suplementos nem consegue aumentar a liberação de GH (veja o texto "Estimuladores da liberação de hormônio do crescimento - secretagogues (arginina e ornitina)" , por exemplo).

Por fim, mesmo que o GH seja realmente estimulado, este hormônio não tem um efeito ergogênico ou anabólico no tecido muscular e seu efeito na redução da gordura corporal é muito reduzido (Gentil et al., 2005, veja também "GH - o que é e como atua" e "GH - mitos e verdades"). Portanto, por mais que uma pesquisa revele que determinado suplemento promova aumento nos níveis de GH, isto não significará que ele tenha qualquer efeito estético ou ergogênico.

Uso indevido do nome de Universidades e instituições de pesquisas

É muito comum se dizer que um produto foi testado em determinada universidade com intuito de dar credibilidade ao suplemento e impulsionar as vendas. No entanto, deve-se lembrar que em uma pesquisa realizada oficialmente sempre será citado o nome do pesquisador responsável e os detalhes do experimento, o que raramente ocorre nas propagandas.

Na verdade, estas pesquisas “realizadas em universidades” geralmente são conduzidas da seguinte forma: solicita-se que algum membro do staff da Universidade participe de um projeto controlado pela própria empresa e se coloca o nome da instituição na farsa devido à presença do funcionário, que nem ao menos é pesquisador.

Outra estratégia é usar as instalações da Universidade para fazer pequenos testes (que carecem da rigorosidade e imparcialidade dos experimentos sérios) e afirmar que os testes foram realizados dentro da Universidade. Inclusive, vale ressaltar que a maior parte das Universidades proíbe que seu nome seja usado para promover suplementos alimentares.

Portanto, se algum vendedor disser que há pesquisas realizadas em determinada universidade, cobre o nome dos autores, o local de publicação e exija que lhe mostrem a pesquisa, do contrário haverá grande possibilidade de ser mais uma farsa.

Endosso por profissionais ou organizações

Outra estratégia muito comum é associar o produto a nomes famosos, como artistas, atletas ou organizações. Basta ligar o canal de compras para perceber quantas dietas milagrosas e suplementos mágicos têm celebridades “assinando embaixo”.

Ou então, tenta-se dar credibilidade a um produto afirmando que ele é usado por determinadas organizações. Lightsey & Attaway (1992) citam o caso em que uma companhia afirmava que os New York Yankees usavam seus produtos, no entanto, ao saber da farsa, o famoso time de beisebol enviou uma carta à empresa exigindo imediatamente a retirada do nome do time das propagandas. A carta dizia claramente “a organização do New York Yankees não tem a intenção de endossar o uso de seu produto, direta ou indiretamente”.

Em 1991, a empresa Slim-Fast publicou um anúncio de 4 páginas na revista da Associação Médica Canadense e usou um estudo do grupo de Goldbloom em suas propagandas. Revoltados com o fato, o grupo de pesquisadores publicou uma nota no mesmo jornal (Goldbloom et al., 1991) afirmando que desejavam deixar claro que não endossam estes produtos ou quaisquer outros similares.

Os autores afirmaram que falta de qualquer evidência para usar os produtos é contundente, e o fato de aparecer em um jornal médico pode levar a enganos. Segundo os autores: “os adornos (do anúncio) com referências científicas apenas aumentam a confusão, e nós achamos isto particularmente irritante para ser citado em uma argumentação a favor de atitudes dietéticas”

Há inclusive empresas que contam com ganhadores de prêmio Nobel e pesquisadores de renome em suas folhas de pagamento. No entanto, simplesmente pagar alguém famoso não torna um produto eficiente, no máximo, pode torná-lo mais caro. Se o produto realmente fosse bom, não seria necessário dizer que os garotos-propaganda são pesquisadores renomados, atletas ou artistas, bastaria mostrar as pesquisas que comprovam a eficiência do produto.

Estudos em andamento e trabalhos não disponíveis para leitura do público

Normalmente as empresas dizem que há estudos em andamento para confirmar suas hipóteses. No entanto, isto raramente é verdade, tanto que tais estudos nunca aparecem. Com relação aos trabalhos não disponíveis, isto chega a ser uma ofensa aos direitos do consumidor e um paradoxo, pois não há razão para se negar acesso a um trabalho que poderia favorecer os vendedores.

Se tais estudos realmente existissem, pode ter certeza que eles seriam amplamente divulgados pelos vendedores. Além disso, se os estudos estiverem em andamento, a empresa só deveria fazer propaganda após os artigos serem publicados, em vez de se basear em estudos que nem ao menos foram concluídos.

Manipulação de dados

É muito comum que a metodologia da pesquisa sofra alterações até dar o resultado desejado. Um exemplo disso é o caso do estudo de Stanko (1992), o qual usou o teste-t uni-caudal por comparar os efeitos da suplementação de piruvato entre o grupo experimental e o controle. No entanto, a estatística correta seria uma ANOVA fatorial (é até estranho entender como um artigo com uma falha tão grave foi aprovado pelos revisores de uma revista científica).

Além disso, os estudos de Stanko usavam doses de piruvato de até 40g por dia (Stanko et al., 1992), sendo que os comprimidos dos suplementos normalmente oferecem cerca de 0,25 a 1 g da substância por cápsula (veja também "Piruvato"). Também são notórios os estudos sobre GH. Os primeiros autores sempre exaltavam os efeitos no ganhos de massa magra e, por conseqüência, se passou a acreditar que o hormônio teria efeito anabólico no tecido muscular.

No entanto, os resultados não mostravam ganhos de massa muscular e nem ganhos de performance, mas convenientemente estas informações foram esquecidas por quem divulgava os dados (Gentil et al., 2005). Com relação ao uso de shakes para substituir refeições, há casos bem interessantes de manipulação de estudos. Podemos pegar como exemplo um estudo de Bowermar et al. (2001).

O estudo comparou dois grupos:

1) um grupo fazia uma dieta de restrição calórica e

2) outro grupo substituía duas refeições diárias por shakes comerciais.

Antes de tudo, é importante destacar que o estudo foi patrocinado pela empresa que fabrica os shakes. O estudo tem uma série de aspectos interessantes, que poderiam ser uma lista de violações de princípios de objetividade e imparcialidade científica.

Primeiro o programa foi explicado aos médicos, depois os “médicos interessados” (palavra do artigo “interested physicians”) foram visitados pessoalmente e ganharam um notebook (com os dados do projeto) e um aparelho de bioimpedância, ambos financiados pela empresa que fabrica o suplemento a ser testado. Em segundo lugar, quem tomava o suplemento sabia que estava passando por uma intervenção, pois ganhava o suplemento de presente.

Em terceiro lugar, o estudo não foi “cego”, ou seja, o médico agraciado com o notebook e o aparelho de bioimpedância sabia exatamente quem estava fazendo o tratamento e quem não estava. E este mesmo médico (pasmem!) foi o responsável por ligar para as pessoas e dar as orientações sobre como perder peso e (pior ainda!) por fazer as análises de composição corporal. Uma olhadinha na estatística também traz dados interessantes.

O teste usado para comparar mudanças (teste-t), não é considerado adequado para este tipo de experimento, por aumentar a probabilidade de erro tipo I (encontrar resultados onde eles não existem). Por curiosidade: os autores deveriam usar uma ANOVA fatorial ou algum outro teste mais adequado. Mas a manipulação mais forte é muito mais sutil do que as anteriores.

Os pesquisadores relatam que o grupo que tomou o suplemento não recebeu apoio financeiro direto, no entanto, os indivíduos receberam o suplemento gratuitamente. Agora eu pergunto: será que os resultados seriam os mesmos se o outro grupo tivesse recebido gratuitamente refeições nutricionalmente equilibradas?

Estudos anteriores verificaram que fornecer comida é até mais eficiente do que dar dinheiro para uma pessoa, se você deseja que ela perca peso. No estudo de Jeffery et al. (1994), os 202 indivíduos foram divididos em quatro grupos:

1) participaram de um programa que envolvia orientação sobre nutrição e práticas de exercício e receberam a alimentação apropriada durante o estudo,

2) participaram de um programa que envolvia orientação sobre nutrição e práticas de exercício e receberam pagamento em dinheiro pelo peso perdido e mantido,

3) combinação dos dois anteriores e

4) apenas foram solicitados a perder peso da forma como preferissem, sem nenhum tipo de orientação ou recompensa. O grupo que recebeu alimento, recebeu semanalmente refeições prontas para cinco cafés da manhã (cereais, leite, suco e frutas) e cinco jantares (carne magra, vegetais e batata ou arroz). Ou seja, nada de shakes ou barras comerciais, apenas comida de verdade!

O estudo durou 18 meses e, ao final, os grupos que receberam alimento, com ou sem incentivo financeiro, obtiveram as maiores perdas de peso em relação aos demais grupos. Novamente, repare que nenhum dos grupos recebeu shakes ou barras de nenhuma empresa, apenas receberam refeições equilibradas.

Portanto, quando os autores dizem nos estudos que os sujeitos não ganharam dinheiro para participar, mas ganharam o suplemento há duas opções: ou eles estão ignorando importantes fatos científicos ou estão se fingindo de desentendidos ao aplicar uma das estratégias mais eficientes para manipulação de resultados.

Isto também poderia ser traduzido da seguinte forma: ou os especialistas das empresas não são muito competentes, ou estão mentindo. Muitos acreditam na manipulação dos estudos e justamente por isso acham muito bom ter estudiosos em sua folha de pagamento, mas por outro lado isso nem sempre dá certo, pois há pessoas (como o chato aqui que assina o texto) que tem um pouquinho de conhecimento e podem apontar estes "pequenos" detalhes que constantemente passam despercebidos.

Desta forma, ao avaliar os estudos que usaram shakes para substituir refeições (Bowerman et al., 2001; Flechtner-Mors et al., 2003; Ditschuneit et al., 1999), observei sempre as mesmas limitações. Tais fatos me permitiram concluir com segurança e de forma embasada cientificamente que os resultados obtidos pela maioria dos estudos são frutos da manipulação do desenho experimental, e não da eficiência de um determinado shake.

Que conste nos autos:

1) alguns estudos citados contaram com a participação de David Heber, um notório membro do comitê "científico" da Herbalife e autor do livro “The LA Shape Diet”

2) todos os estudos foram patrocinados pelos fabricantes dos shakes.

Estudos em animais

O fato dos resultados serem expressivos em animais não significa que eles se repitam em humanos. Um exemplo claro neste sentido é o CLA. Ao testar os suplementos em ratos, os resultados foram espantosos, com redução de 60% na gordura corporal e aumento de 14% na massa magra (Park et al., 1997).

No entanto, os estudos em humanos não chegaram nem perto de reproduzir tais achados e acabaram mostrando simplesmente que o produto não valeria a pena, pois os resultados variavam do inexpressivo ao inexistente, além dos efeitos colaterais (Terpstra et al., 2004; Larsen et al., 2003). (Veja também "CLA (Ácido linoleico conjugado)"

Supervalorização dos resultados

Muitas vezes os resultados são expressos de modo a passar uma falsa impressão de eficiência. No caso do piruvato, por exemplo, há anúncios que alardeiam um impressionante favorecimento de 48% na perda de gordura, comprovada cientificamente.

No entanto, a análise dos dados nos mostra que o grupo que ingeriu piruvato perdeu 4 quilos, contra 2,7 para o grupo que ingeriu placebo, resultando em uma diferença de pouco mais de um quilo. Estes resultados são ainda mais insignificantes se pensarmos que a média de peso dos indivíduos era superior a 100 quilos (Stanko et al., 1992).

Portanto, a análise dos dados nos faz sugerir que além, da ajudinha dada pelo desenho do estudo, houve muita boa-vontade do autor (e coincidentemente o dono da patente do piruvato) para afirmar que tal suplemento seja bom. Outro estudo divertido é um que “comprovou” a eficiência do HMB (Nissen et al., 1996).

Na primeira parte do experimento, com duração de três semanas, uma amostra de homens sedentários foi dividida em três grupos:

1) ingestão de placebo;

2) ingestão de 1,5g de HMB e

3) ingestão de 3 g de HMH.

De acordo com os resultados, não houve diferenças na perda de gordura nem no ganho de massa magra entre os grupos, mas os autores tiveram a boa-vontade de dizer que houve uma tendência de maiores ganhos de massa magra e ainda tiveram a cara-de-pau de mostrar os valores de significância (p Na segunda parte do estudo, com duração de sete semanas, as comparações foram realizadas entre o uso de placebo e 3 gramas diárias de HMB.

Ao final do estudo, não houve diferença na perda de gordura e ganho de massa magra entre os grupos. De modo similar, não houve diferença nos ganhos de força para membros superiores ou inferiores.

Apesar de tantas controvérsias, o grupo de Nissen (coincidentemente dono da patente do HMB) conclui que o “principal achado do estudo é que a suplementação de HMB resulta em aumento da função muscular... esse efeito é claramente mostrado pelos aumentos na força muscular e embasado pelo aumento da massa magra nos dois estudos...”.

Como assim aumento de força e massa magra??? Não foi isso que os resultados revelaram... E o pior é que a partir dessas conclusões tortas, os autores já partem para as suposições de porque o HMB funciona? Mas de que adianta explicar porque ele funciona, se nem ao menos ele funciona??? (Veja também "HMB - Beta-hidroxi-beta-metilbutirato")

Também é interessante citar um estudo sobre CLA publicado em 2000 por Blankson et al. (financiado pela empresa norueguesa Natural Limited, uma grande vendedora de CLA). No estudo, 60 pessoas com obesidade e sobrepeso ingeriram CLA por 12 semanas.

As dosagens diárias utilizadas foram de 1,7g, 3,4g, 5,1g e 6,8g. Ao final de 12 semanas, o que grupo que obteve os melhores resultados não chegou a perder nem 2 quilos. Ou seja, indivíduos obesos gastariam uma quantidade considerável de dinheiro para perder cerca de meio quilo por mês!! Qual seria a significância clínica, ou até mesmo estética de uma pessoa de quase 90 quilos perder 1,73kg de gordura em 12 semanas??

Outro ponto interessante: mais da metade da amostra teve problemas gastrointestinais devido ao suplemento. Quem garante que a perda de peso não foi devido a esses problemas, os quais provavelmente acabaram prejudicando a absorção dos alimentos?

Além disso, é interessante notar que o grupo que ingeriu doses de 5,1g de CLA não perdeu peso, o que torna os resultados ainda mais estranhos, pois é difícil explicar como doses de 3,4 e 6,8 g trazem resultados enquanto 5,1g não traz resultados signiticativos. Mais estranha ainda é a conclusão dos autores ao dizer que “nós queremos enfatizar que os efeitos benéficos do CLA com relação à massa gorda e massa corporal magra são promissores”.

Realmente parece que só “querendo” para acreditar que os resultados sejam promissores. Mesmo o grupo que obteve os melhores resultados perdeu 1,73 kg de gordura ao final de 12 semanas e o único grupo que obteve aumento na massa corporal magra (o que ingeriu 6,8g por dia) conseguiu um acréscimo de míseros 0,88kg, enquanto nenhum dos outros grupos aumentou a massa magra!! Como assim promissores???

Você encontra a matéria toda em: http://www.gease.pro.br/principal.php

Prof. Paulo Gentil
Presidente do GEASE

Fonte:
GEASE - Grupo de Estudos Avançados em Saúde e Exercício
www.gease.pro.br
Brasília / DF

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Quenianos: campeões das ruas

Saiba por que os quenianos são sempre os líderes nas corridas de rua
Sport Life

Nas últimas décadas eles dominaram o cenário de corrida. Até hoje, apenas atletas africanos foram capazes de correr uma maratona em menos de 2h06min, e os grandes destaques da lista de recordes são os quenianos e etíopes.
Mas nem sempre foi assim. De certa forma, eles demoraram para descobrir o seu potencial. Um estudo comparativo mundial mostrou que em 1986 os quenianos representavam apenas 13% dos vencedores das corridas, contra quase 50% de europeus. Em 2003, os europeus caíram para 11%, enquanto os quenianos, em uma incrível virada de jogo, abocanharam 55% do montante global.
No Brasil, nenhum queniano havia ganho a São Silvestre antes de 1992, por exemplo, mas nos últimos 20 anos contabilizam-se 12 vencedores daquele país contra apenas cinco brasileiros e, na Volta da Pampulha, o placar já está em 6 a 4 para os africanos nas últimas dez edições.
Tendo isso em vista, e a fim de dar mais chance aos brasileiros, desde o ano passado há limite de estrangeiros na categoria elite das corridas, variando de um a três atletas por país (dependendo da classificação da prova), segundo Martinho Santos, superintendente técnico da Confederação Brasileira de Atletismo.
Mas afinal, por que eles são tão bons?

DNA DE CORREDOR
Leves, magros, donos de longas e incansáveis pernas, eles parecem ter sido feitos para correr. Os melhores atletas de médias e longas distâncias vêm de oito tribos Kalenjin e, dentre eles, destacam-se os Nandi, cerca de 2% da população do Quênia. Estudo publicado na Jornal Escandinavo de Medicina e Ciências do Esporte mostrou que os corredores quenianos têm VO2 máx., índice que marca o aproveitamento do oxigênio, muito altos e uma economia de corrida impressionante. Também acumulam menos ácido láctico e amônia (subprodutos associados à fadiga) no sangue durante a prova, quando comparados aos corredores escandinavos, mesmo em intensidades de exercício muito altas.
Elevado VO2 máx., utilização fracio­nada durante a execução e economia de corrida são fatores cruciais para o sucesso do corredor. Mas ao que tudo indica, a chave da superioridade do Quênia em médias e longas distâncias é uma combinação única desses fa­tores, como aponta um estudo do Cen­tro de Pesquisas do Músculo de Co­­penhague. A prova de que a combinação certa é que faz a diferença foi uma pesquisa com um grupo de atletas africanos com VO2 máx. significativamente menor (61ml/min/kg) do que um grupo de eu­ropeus (70 ml/min/kg). Ainda assim, eles foram capazes de atingir o mesmo desempenho em 10k que o ou­tro grupo, devido à economia de cor­rida e à capacidade de sustentar por mais tempo uma maior porcentagem do VO2 máx. Outro fator estudado foi a composição muscular desses atletas. Um estudo que saiu no Journal of Applied Physiology em 2007 com 13 Xhosas e 13 europeus mostrou que os corredores de 10k africanos, mesmo sendo fundistas, tinham mais fibras do tipo IIA (relacionadas à força e à ve­locidade) e menos fibras do tipo I, as­sociadas à resistência, do que os brancos.

NAS MONTANHAS

Muitos estudos mostram que a herança genética, sozinha, não faz um campeão. A maior parte leva também em consideração o meio. E, nesse item, destaca-se o fator altitude, pois a maioria daqueles corredores nasce e treina acima de 2 000 m, na região de Rift Valley. “Com isso, o corpo acostuma-se a trabalhar com menos oxigênio e promove adaptações gerais que melhoram a economia de corrida, como o aumento de hemácias no sangue, por exemplo. São as hemácias, as células vermelhas do sangue, as responsáveis por transportar o oxigênio pelo corpo. Os brasileiros, por exemplo, utilizam o treinamento em altitude para melhorar o sistema aeróbio, passando temporadas na Colômbia (Paipa está a 2 700 m de altitude)”, explica Evandro Lázari, treinador de atletismo da equipe BM&F Bovespa e mestrando em Biodinâmica do Movimento Humano pela Unicamp.
Além disso, os quenianos correm em trilhas de terra batida e montanhas, o que requer mais força com me­nor risco de lesões. Em geral, eles também são muito ativos desde a infância. Como moram em regiões rurais, precisam caminhar e correr longas distâncias. Estudo mostrou que as crianças quenianas que moravam longe da escola e iam a pé tinham um VO2 máx. 30% maior em relação às que não faziam esse esforço.
Outro fator estudado é a dieta. Os quenianos preferem alimentos simples e nutritivos, ricos em carboidratos e com pouquíssima gordura, com destaque para o ugali, uma espécie de polenta feita de milho, que comem muitas vezes ao dia. No prato, legumes, verduras, pouca carne e muito chá. Pequenas porções de frango ou carne assada e muito leite fornecem as proteínas necessárias.

MORRO ACIMA

Sabe os treinos mais difíceis da sua planilha, quando você respira fundo e sabe que o dia será complicado? Pois é, são os preferidos dos quenianos. Basicamente eles treinam muito duro e quase sempre em subidas e em trilhas, o que aumenta o ganho de força e a qualidade do treino.
Moacir Marconi, conhecido como Co­quinho, treina quenianos há mais de 15 anos no Paraná. Para ele, o gran­de diferencial, além da genética, é um bom treinamento. “Muito fartlek, e duas vezes na semana, um longo com variação de terreno. Também fazemos muitas subidas para aprender a não se intimidar e deixar o ritmo cair. Em geral, eles treinam até menos que os brasileiros, sabem a importância do descanso, da recuperação”, conta o ex-atleta.
De fato, Catherine Ndereba, bicampeã mundial e tetracampeã da Maratona de Boston, certa vez afirmou que costuma correr entre 120k e 145k por semana, bem menos que os 180k costumeiramente feitos pelos outros atletas. Mas, apesar de a quilometragem ser menor, o trabalho é intenso. Chegam a correr três vezes ao dia, com muitos treinos em ritmo de prova (os chamados tempo-run), e de limiar, cruciais para condicionar o corpo a manter a alta velocidade por maiores distâncias.
Em geral, a semana é preenchida com duas sessões de repetições curtas em subidas, uma de intervalados, uma de fartlek ou tempo-run e dois longões.

PARA GANHAR
Nascidos em um país pobre e devastado, a corrida é a única chance de sairem da miséria e ajudarem seus familiares. Para isso, eles deixam tudo e seguem mundo afora em busca de oportunidades de prêmio. Não importa se a corrida é fácil, difícil, com muito frio ou só com subidas. Extremamente focados, chegam, correm e partem.
O ex-maratonista olímpico Luiz Antônio dos Santos trabalha há três anos com quenianos em Taubaté (SP) e é um dos que acredita mais no potencial psicológico. “É óbvio que a genética ajuda muito, aliada ao fato de nascerem em região montanhosa. Isso pode favorecer, mas o grande diferencial é a dedicação, é o acreditar no que estão fazendo. Eles sabem que aquilo é o seu meio de sobrevivência, por isso são muito simples, humildes e batalhadores. Quando os brasileiros treinam com eles nesse intercâmbio que promovo, noto um aumento de concentração e dedicação, quando começam a acreditar que podem correr como um africano também”, diz.
De fato, quem já conversou com um corredor queniano, sabe. Humildes, resignados, tímidos e quietos. É notável como deixaram tudo para trás em busca de uma vida menos miserável e fizeram mais sacrifícios do que quase qualquer outro corredor.

Karina Bernardino
Fonte: http://www.sportlife.com.br/index.asp?codc=1455